13 brincadeiras indígenas para conhecer e se divertir


Alice Ferreira
Alice Ferreira
Redatora Criativa

No Brasil, há diversas tribos indígenas e cada uma têm suas particularidades. Até mesmo nas brincadeiras.

Conhecer outras culturas e realidades diferentes da nossa é enriquecedor. E também pode ser divertido. As brincadeiras indígenas, além de alegrarem a criançada, ensinam muito sobre autonomia, respeito, espírito de equipe, dentre outras habilidades.

Confira agora uma lista de brincadeira indígenas para você conhecer e brincar com a criançada. Se necessário, adapte alguns instrumentos.

Crianças indígenas, Amazônia.
Crianças indígenas, Amazônia. Reprodução: Shutterstock

Kopü Kopü (Peteca)

Conhecida popularmente por peteca, essa brincadeira é de origem indígena. A peteca dos indígenas é geralmente confeccionada com palha de milho. A ideia é não deixar o objeto cair ao chão, jogando de um para outro, em duplas ou círculo, com apenas um toque (ou um tapa no brinquedo).

Quem deixar a peteca cair, fica fora da rodada. Dependendo da tribo, pode existir ainda uma prenda para quem deixar a peteca cair. Como no caso dos Kalapalo, do estado do Mato Grosso, que correm para fazer cócegas no jogador.

Ketinho Mitselü (Figuras de barbante)

Uma brincadeira super criativa e artística. Os jogadores devem fazer trançados de barbante com as mãos, de modo a formar figuras. Depois, passam o trançado para as mãos de outro jogador, que deve transformá-lo em outra figura. O último jogador deve fazer a primeira figura que iniciou a brincadeira.

Essa brincadeira também pode ser feita de várias maneiras, a criatividade e habilidade dos jogadores em trançar o barbante é que vai ditar a diversão.

Tucunaré

A brincadeira foi inspirada no peixe tucunaré, que fica no fundo do rio. Primeiro, é necessário simular um rio na areia. Para isso, pedaços de pau são enfiados no chão e amarrados por barbante, formando dois quadrados um dentro do outro, para demarcar o espaço “raso” e o “fundo”.

O espaço “fundo” é representado pelo quadrado de dentro, onde deverão ficar 4 participantes (os tucunarés). O de fora é o “raso”, onde deverão ficar uns 8 a 10 participantes (os peixinhos) e contará com 6 “portas” para escape.

Quando a brincadeira começa, os tucunarés tentam capturar os peixinhos que, por sua vez, tentam escapar pelas portas. Os peixinhos capturados são levados ao espaço “fundo” e devem ficar lá até que todos sejam pegues.

Ta

Ta é uma roda feita de palha recoberta com cortiça de embira (árvore típica da região do cerrado). A brincadeira envolve pontaria e concentração, onde os jogadores devem acertar o Ta usando um arco e flecha. Para brincar com as crianças, pode-se adaptar os instrumentos.

Duas equipes devem ser formadas e organizadas em fileiras distantes entre si. Um jogador de cada equipe será o lançador do Ta. O lançador joga o Ta ao ar em direção ao time adversário. Assim que o Ta toca o chão, ainda em movimento, os jogadores do time adversário devem tentar acertá-lo com a flecha.

Quando alguém acerta o Ta, o lançador do time adversário sai temporariamente do jogo e deve ser substituído por outro. Caso o Ta não seja acertado, o time perde a chance de tirar o lançador adversário.

Heiné Kuputisü

Uma brincadeira que muito se assemelha a do Saci. Primeiro, é determinado o ponto de partida e o de chegada. Depois, os competidores devem partir e correr em um pé só até cruzar a linha de chegada. A distância quem determina são os jogadores antes de começar.

Quem encostar o pé no chão ou não conseguir chegar, é eliminado ou volta para o final da fila.

Ukigue Humitsutu

De brincadeira de resistência, os indígenas entendem muito bem. Nessa, os jogadores partem de um ponto e correm sem respirar até onde conseguirem. É regra do jogo que eles emitam um som constante, semelhante a “mmmmmm”, para provar que estão sem respirar.

Quando perder o fôlego, o jogador deverá parar. Quando todos pararem, o vencedor será o que conseguiu chegar mais longe.

Coquita (bilboquê)

O nome da brincadeira é o mesmo da semente da árvore que os indígenas utilizam para fazer o brinquedo. A semente coquita parece um sino, com uma ponta mais estreita e outra mais larga.

Na ponta estreita, do lado externo, amarra-se um pequeno cabo de madeira com um fio (que pode ser barbante) de 30 cm de comprimento aproximadamente.

Os jogadores deverão segurar no cabo de madeira com uma mão e lançar a coquita pra cima, de forma a fazê-la cair encaixando no cabo de madeira. Ganha quem acertar mais vezes.

Toloi Kunhügü (Gavião e Passarinhos)

Nessa brincadeira, um jogador será o gavião que deverá capturar os outros jogadores, que serão os passarinhos. Uma grande árvore é desenhada no chão, com uma quantidade de galhos que possa abrigar cada passarinho.

O gavião fica em seu ninho enquanto cada passarinho escolhe o seu galho para ficar abrigado. Quando a brincadeira começa, os passarinhos saem dos galhos e começam a bater os pés no chão, geralmente cantando, provocando o gavião.

O gavião, por sua vez, sai de seu ninho e corre para tentar capturar um passarinho. Se o passarinho conseguir fugir e se abrigar em seu galho, o gavião não pode pegá-lo. Quando o gavião captura um passarinho, leva-o para o seu ninho e lá ele deve permanecer.

O último a ser capturado será o gavião da próxima rodada.

Criança indígena Guarani.
Criança da tribo Guarani. Photo by Tatiana Zanon on Unsplash

Arranca mandioca

O nome surgiu exatamente da forma como os indígenas colhem a mandioca: puxando com força. Na brincadeira, um jogador deve sentar-se e abraçar-se com força a um tronco de árvore. Em seguida, outro jogador deve abraçar-se ao primeiro e assim sucessivamente, até formarem uma fila.

O colhedor de mandioca, isso quer dizer, o jogador que irá colher os outros, deverá começar puxando o último da fila. Pode-se usar de várias estratégias, como força, cócegas, tentar pegar pelas pernas etc.

Quando uma mandioca é colhida, ela passa a ajudar o colhedor a tirar as outras, até que se consiga chegar ao jogador abraçado a árvore.

Woratchia (Melancia)

Nessa brincadeira teremos os jogadores melancia, o dono das melancias, os dois cachorros do dono e os ladrões. Separados os papéis de cada um, a brincadeira começa assim: as melancias se espalham pelo espaço e ficam agachadas.

O dono e os dois cachorros ficam circulando pelo espaço, protegendo as melancias. Os ladrões chegam e começam a rondar as melancias, batendo com o dedo em suas cabeças para “testar” se estão boas. Quando escolhem uma, eles a pegam e saem correndo com ela.

Os cachorros do dono correm atrás dele para evitar o roubo. Se o ladrão conseguir levar a melancia até o seu esconderijo (demarcado no começo), será ponto para ele. Se não conseguir, o cachorro leva a melancia de volta.

Katuga Íkugu

Essa brincadeira lembra um pouco o jogo de handebol, mas as regras são bem diferentes. Separam-se dois times de 10 jogadores e demarca-se no chão a área do gol de cada um.

Uma bola pequena, do tamanho das de tênis, é lançada com a mão na direção do adversário. Estes, por sua vez, deverão tentar acertá-la usando os joelhos ou a cabeça na direção do gol do outro time. Assim como no futebol, vence a equipe que fizer mais gols.

Uatá

Essa brincadeira é bem parecida com a popular “pula-sela”. Funciona assim: um jogador abaixa-se ficando de quatro no chão, outro tenta pular por cima dele, sem encostar ou apoiar.

Se conseguir, ele assume a mesma posição mais adiante, e assim sucessivamente. Quem não consegue, vai para o final da fila.

Motosserra

Pega-se duas tampinhas de alguma garrafa, de preferência as mais achatadas possível. Furam-se dois buracos no meio delas para passar um fio entre eles, amarrando-se as pontas.

A brincadeira consiste em prender os dedos médios no fio e fazer movimentos de abre e fecha, fazendo com que as tampinhas girem ora em um sentido, ora em outro.

Quando todos estiverem com suas tampinhas girando, a disputa começa: um tenta cortar o fio do outro usando o giro da sua tampinha, como se fosse uma motosserra (daí o nome). Importante: deverá haver um grande cuidado para não tocar a tampinha no adversário, pois poderá machucá-lo.

Referências bibliográficas:

  • Renata Meirelles, Projeto Território de Brincar.
  • Jogos e brincadeiras na cultura Kalapalo (2006).
  • Jogos e brincadeiras na cultura Kalapalo (2010 - 2 ed.).
  • Artemis Soares, Projeto Motricidade.

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Sou redatora há mais de 10 anos e adoro uma folha em branco para encher de ideias. Acredito muito no poder da criatividade para transformar o mundo.